Relatos de um verão sem fim
Lembranças esquecidas
By:Coraline Carter
Lembranças esquecidas
By:Coraline Carter
As férias estavam realmente chatas. Cora olhou para a janela, sentindo uma estranha monotonia. Todos os seus amigos estavam viajando, e ela tinha que ficar presa em Londres, sem nada interessante pra fazer. Pelo menos aproveitou o tempo para escrever algumas músicas e treinar guitarra. Já estava tocando muito bem, até.
Ela voltou para o pergaminho onde escrevia a mais nova letra na qual pensara. Stitch a observava, acomodado no tapete do quarto.
Cora olhou para o pequeno pote de tinta e concluiu que faltava pouco para que sua tinta terminasse.
-Mamãe não se importará se eu pegar a tinta dela, não é Stitch? - Perguntou ela, levantando da cadeira e seguindo pelo corredor até o quarto da mãe.
O quarto de Ava Carter, tia materna e mãe de criação de Cora, era muito bem organizado. A confortável cama de casal ocupava o meio do aposento, com sua colcha branca límpida.
A escrivaninha ficava ao lado da penteadeira, no canto esquerdo.
Cora foi até lá, mas antes que pudesse procurar um pote de tinteiro nas muitas gavetas da escrivaninha, uma estranha bacia de metal chamou sua atenção, em especial porque nunca havia visto nada igual. Um líquido estranho e prateado estava dentro do recipiente.
Ela aproximou sua mão para toca-lo e sentiu um puxão. Estava mergulhando na bacia?!
De repente, viu-se na sala de uma casa bem iluminada.
Uma mulher de cabelos negros estava sentada em um sofá, cabisbaixa. Tinha cabelos curtos e repicados. O rosto dela se ergueu e Cora vislumbrou os olhos profundamente azuis.
-Eu... Eu sei que nunca nos demos muito bem, Ava, mas preciso da sua ajuda. - Disse a mulher morena.
-Não posso incentivar as suas besteiras, Mandy. - A voz ríspida chamou a atenção de Cora para a outra mulher.
Ava Carter tinha os cabelos loiros de sempre, porém mais longos. E usava uma roupa menos alinhada.
-Ava, é só até eu conseguir um lugar pra ficar. Pelo amor de Merlin, não posso ficar na rua. - Disse a morena.
-Mandy, você não deve levar a sério essas brigas de casal. - Disse ela. - Logo farão as pazes. Você não tem nada a temer...
-Ava... Eu... - a morena desviou o olhar. Saiu da cadeira onde estava e falou algo ao pé do ouvido de Ava.
Cora não conseguiu ouvir o que era, mas presumiu que fosse algo sério, porque sua tia franziu o cenho.
Antes que Cora pudesse notar mais alguma coisa, a visão se dissipou e ela estava novamente no quarto de sua mãe.
Ainda tonta com o que abara de ver, Cora esqueceu-se por completo do tinteiro. Então se lembrou de que certa vez, ela havia lido sobre aquela bacia em um livro da biblioteca da escola, durante uma pesquisa para a aula de feitiços. Tratava-se de uma penseira e era uma espécie de recinto para guardar lembranças e pensamentos.
Chocada, ela sentou-se no sofá da sala. Vira sua mãe em uma das lembranças de sua tia. Mas não havia entendido nada a respeito daquela conversa. O que sua mãe queria dizer? Por que sua tia estava zangada?
Com a cabeça ainda pipocando, ela foi novamente até o quarto da mãe e pegou o tinteiro. Precisava escrever para alguém...
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